Antifungigrama na rotina laboratorial!
PORQUE NÃO E USUAL FAZER ANTIFINGIGRAMA EM ROTINA DA MICROBIOLOGIA:
Antifungigrama para Cândida não é realizado de rotina principalmente porque a grande maioria das infecções é causada pela espécie Cândida albicans, que apresenta um perfil de sensibilidade altamente previsível aos tratamentos convencionais (como o fluconazol). Por esse motivo, os médicos adotam o tratamento empírico imediato para agilizar a recuperação do paciente
Abaixo estão os motivos detalhados para o exame não ser rotineiro:
1. Alta sensibilidade e previsibilidade da Cândida albicans
A Cândida albicans responde por cerca de 80% a 90% dos casos de candidíase superficial (como a vaginal e a oral). Como essa espécie é historicamente muito sensível aos azólicos (fluconazol, miconazol, clotrimazol), não há necessidade clínica de testar o fungo em laboratório antes de prescrever o remédio.
2. Tempo de liberação do resultado
A cultura do fungo associada ao teste de sensibilidade (antifungigrama) demora de 3 a 7 dias (ou mais) para ficar pronta. Aguardar esse tempo para tratar sintomas desconfortáveis, como coceira e ardência, é inviável na prática médica diária]
3. Falta de padronização para infecções superficiais
Os critérios laboratoriais e as metodologias automatizadas para o antifungigrama foram desenvolvidos e padronizados focando em infecções sistêmicas e graves (no sangue ou órgãos internos). Para micoses superficiais de pele e mucosas, o teste in vitro muitas vezes não reflete com precisão a eficácia do creme ou óvulo aplicado diretamente no local
4. Custo-benefício e colonização normal
A Cândida faz parte da flora (microbiota) normal de muitas pessoas sem causar doença. Fazer o exame de rotina geraria custos desnecessários para o sistema de saúde, além do risco de tratar uma simples colonização assintomática de forma equivocada
Quando o antifungigrama passa a ser recomendado?
O exame deixa de ser dispensável e torna-se essencial nas seguintes situações:
- Candidíase de repetição (recorrente): Pacientes com 4 ou mais episódios no ano
- Falha terapêutica: Casos em que o paciente usou os antifúngicos padrões corretamente, mas os sintomas não desapareceram
- Suspeita de espécies não-albicans: Fungos como Cândida krusei (que tem resistência natural ao fluconazol) ou Cândida glabrata (comumente menos sensível).
- Pacientes imunocomprometidos: Pessoas com HIV avançado, em quimioterapia ou transplantados, devido ao risco elevado de evolução para infecção sistêmica grave.
- Perfil de sensibilidade do gênero Cândida a antifúngicos de uma forma geral, Cândida sp tem se mostrado sensível a anfotericina B (anfB) no antifungigrama.
CONCLUSÃO:
Realizar ou não o teste de sensibilidade para leveduras e de critério clinico, levando em consideração o histórico do paciente e a espécie de leveduras que está sendo pesquisada. A melhor opção e ter uma boa interação clinica para que o resultado seja interpretado de forma coesa sem prejuízos para a saúde.
Leandro E. Varela - Biomédico.
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